Mudanças na CNH ameaçam a segurança viária e geram custos bilionários

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As recentes mudanças na CNH, propostas com o objetivo de desburocratizar e ampliar a acessibilidade, preocupam especialistas em segurança viária e psicologia do trânsito. A flexibilização dos prazos de validade da CNH e a redução das avaliações médicas e psicológicas representam um retrocesso que ignora a prevenção e pode causar um impacto social e econômico enorme.

Flexibilização da CNH e os riscos para a segurança viária

Especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG) alertam que a diminuição da frequência dos exames de aptidão física e mental transfere o custo da prevenção para o SUS e a Previdência, gerando uma falsa economia. Essa medida resulta em mais acidentes, mortes e lesões graves, que comprometem a força produtiva do país.

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  • Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entre janeiro e outubro de 2025 mostram 59.459 acidentes nas rodovias federais, com 4.970 mortes e 68.264 feridos. A maioria das ocorrências decorre de falhas humanas previsíveis e preveníveis. As principais causas, ausência de reação e reação tardia do condutor, somam 18.087 casos, diretamente ligadas a falhas cognitivas e fisiológicas.

    Adalgisa Lopes, presidente da Actrans-MG, explica que essas falhas não se resumem a desatenção momentânea, mas indicam problemas críticos na atenção, percepção e velocidade de processamento. A falta de reação está associada à saúde mental, especialmente ao estresse e fadiga crônica. Já a reação tardia indica lentidão no processamento de informações, afetada por distúrbios do sono ou medicamentos.

    Impactos econômicos e sociais da flexibilização da CNH

    A desvalorização da prevenção na renovação da CNH afeta diretamente o SUS e a economia brasileira. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), acidentes custam entre 1% e 3% do PIB dos países, o que equivale a cerca de R$ 351 bilhões anuais no Brasil.

    Giovana Varoni, especialista em segurança viária, destaca que o que se economiza na avaliação médica e psicológica acaba sendo gasto em saúde pública, reabilitação e previdência social. Quando um motorista sofre um mal súbito ou acidente grave, deixa de prover e se torna um custo elevado para o Estado, além do impacto familiar.

    Carlos Luiz Souza, vice-presidente da Actrans-MG, critica a visão simplista que reduz a CNH a uma burocracia. Ele ressalta que a aptidão para dirigir muda com a idade e condições de saúde. O exame médico funciona como uma triagem preventiva essencial para detectar doenças como diabetes descompensada, hipertensão e distúrbios do sono, que podem causar mal súbito ao volante.

    A entidade defende a inclusão de exames básicos, como glicemia e hemoglobina glicada, na avaliação da CNH para prevenção primária. No aspecto psicológico, a avaliação identifica vulnerabilidades comportamentais e emocionais, como controle da impulsividade, gestão da raiva e tendência à agressividade.

    Avaliação rigorosa da CNH como ferramenta de prevenção

    A psicóloga e presidente da Actrans-MG alerta que o risco no trânsito é igual para motoristas profissionais e amadores. A desvalorização dos profissionais, que exige alta qualificação e oferece baixa remuneração, compromete a qualidade do serviço e coloca vidas em risco por uma economia insignificante.

    Adalgisa reforça que a segurança viária precisa ser encarada como uma questão de saúde pública e comportamento humano, não apenas de engenharia e fiscalização. O governo federal demonstra irresponsabilidade ao reduzir procedimentos médicos e psicológicos na CNH.

    A criação de uma Política Pública de Segurança Viária que priorize o fator humano e a sustentabilidade do sistema de prevenção torna-se fundamental para reverter esse cenário preocupante.

    A CNH, portanto, não deve ser vista apenas como um documento burocrático, mas como um instrumento vital para garantir a segurança no trânsito e proteger vidas, evitando custos sociais e econômicos elevados.

    Conclui-se que as mudanças na CNH, ao flexibilizar a renovação e reduzir avaliações, aumentam os riscos no trânsito e geram impactos bilionários para o país, exigindo uma revisão urgente das políticas públicas relacionadas.

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