O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Marcelo Padeiro, atribuiu nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, os atrasos nas obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT) aos problemas herdados do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), à necessidade de romper o primeiro contrato da obra e às dificuldades enfrentadas durante a gestão do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB). As declarações ocorreram durante audiência de convocação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que discute a execução do modal em Cuiabá e Várzea Grande.
Legado do VLT impacta obras do BRT em Cuiabá e Várzea Grande
Ao defender a condução do projeto pelo Governo do Estado, Padeiro afirmou que a atual gestão recebeu uma obra marcada por irregularidades e prejuízos à população, em referência ao VLT, iniciado para a Copa do Mundo de 2014 e posteriormente abandonado. “Quem sofreu foi o povo de Mato Grosso com o VLT. Aquela ferida aberta na cidade de Várzea Grande desde 2013. Ali morreu gente. Ali quebrou gente. A corrupção daquele governo, a delação, tudo aconteceu lá”, declarou.
O secretário relembrou que integrou a extinta Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa), mas deixou o órgão em 2012 por discordar da condução de parte dos trabalhos. “Saí da Secopa em 2012 sem uma mancha, sem um processo aberto. Eu não concordava com muitas coisas e o meu caminho foi sair.”
Segundo Padeiro, a decisão do ex-governador Mauro Mendes (União) de substituir o VLT pelo BRT solucionou um problema que se arrastava havia mais de uma década. Ele afirmou ainda que a venda dos trens e o leilão dos materiais que não seriam aproveitados deverão render mais de R$ 1 bilhão aos cofres estaduais. “O superfaturamento teve lá. Aqui não.”
Problemas contratuais e resistência atrasam execução do BRT
Sobre a execução do BRT, o secretário explicou que o primeiro processo licitatório precisou ser encerrado porque a empresa vencedora não conseguiu cumprir o contrato, apesar de ter apresentado toda a documentação exigida durante a licitação. “Ela venceu o procedimento licitatório, apresentou os atestados e não tinha como impedir. Depois não conseguiu executar a obra. Tivemos que romper o contrato, aplicar multa e fazer uma nova contratação.”
Padeiro também responsabilizou a gestão anterior da Prefeitura de Cuiabá por parte da demora na execução dos serviços. Segundo ele, a Sinfra encontrou resistência para realizar intervenções na Capital, inclusive com impedimentos para interditar vias e apreensão de equipamentos utilizados pelos técnicos. “Tivemos um prefeito em Cuiabá que não deixou nossa equipe trabalhar. Teve equipamento de topografia apreendido. Não nos davam condições de interromper uma única via para tocar a obra.”
Ele afirmou que o cenário mudou com a atual administração municipal e disse que a parceria com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) tem permitido maior avanço das frentes de serviço.
Críticas à corrupção e defesa da equipe técnica da Sinfra
Durante o pronunciamento, o secretário também criticou casos de corrupção envolvendo recursos públicos e afirmou que o país precisa mudar a forma como administra o dinheiro da população. “O dinheiro público precisa ser respeitado. Todo dia você abre o jornal e vê bandalheira. O Brasil precisa mudar.”
Padeiro fez questão de defender a equipe técnica da Sinfra, afirmando que não há pagamento de medições sem o cumprimento integral das etapas previstas em contrato. “As estações têm 1% executado porque é 1% pago. Os terminais têm 0% executado porque é 0% pago. Não existe adiantamento. Nenhuma medição sai sem que tudo seja cumprido.”
